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A EDUCAÇÃO ESTÁ CANSADA

  • 10 de jul.
  • 3 min de leitura

Basta entrar em muitas escolas para perceber. Os corredores continuam cheios. As salas continuam funcionando. Os planejamentos continuam sendo feitos. As reuniões continuam acontecendo. No entanto, algo parece ter perdido vitalidade pelo caminho... Professores cansados. Coordenadores cansados. Gestores cansados. Famílias cansadas. Crianças cansadas.

 

É curioso. Nunca tivemos tantas formações, tantos cursos, tantas metodologias, recursos tecnológicos e informações disponíveis. E, ainda assim, cresce a sensação de que estamos sempre correndo atrás de algo que nunca chega.

 

Talvez porque a educação tenha sido capturada por uma lógica que a empurra permanentemente para o futuro. O próximo conteúdo, a próxima avaliação, o próximo resultado, a próxima etapa, o próximo desafio.

 

Vivemos cercados por uma ideia de desenvolvimento que parece sempre acontecer depois. Depois da alfabetização. Depois da prova. Depois da faculdade. Depois da carreira. Depois do sucesso. E, nessa corrida incessante em direção ao que virá, vamos perdendo a capacidade de habitar aquilo que já está acontecendo.

 

Talvez um dos sintomas mais dolorosos desse processo seja o número crescente de educadores que passaram a se sentir fracassados. Porque não alcançaram uma meta. Porque uma turma não apresentou o desempenho esperado. Porque os resultados não apareceram na velocidade desejada. Porque já não conseguem responder a todas as demandas que lhes são dirigidas. 

 

Mas basta olhar para uma criança para perceber o equívoco dessa lógica. A infância conhece algo que muitos adultos esqueceram. Quando uma criança aprende a caminhar, ela cai inúmeras vezes. Cai, levanta, tenta novamente. Em nenhum momento, interpreta a queda como fracasso, pois faz parte da experiência, da investigação que está realizando sobre o próprio corpo e sobre o mundo. Quando uma torre de blocos desmorona, ela recomeça. Quando uma palavra não sai como gostaria, tenta outra vez. Quando perde o equilíbrio na bicicleta, insiste. Existe, na infância, uma confiança profunda na experiência. O erro não ocupa o lugar de sentença, e sim o lugar de aprendizagem.

 

Talvez seja exatamente aí que a infância tenha algo precioso para ensinar à educação. Aprender nunca foi um movimento linear. Aprender exige tentativas. Exige desvios, dúvidas, tempo. 

 

Nenhuma criança aprende a falar porque acertou todas as palavras. Nenhuma aprende a ler porque compreendeu tudo na primeira tentativa. Nenhuma aprende a viver sem atravessar incertezas. Por que, então, construímos sistemas educacionais que parecem exigir dos educadores aquilo que nem a própria aprendizagem exige? 

 

A pergunta é importante porque não diz respeito apenas às escolas, ela atravessa também as famílias. Mães e pais vivem hoje sob a mesma pressão. A pressão para acertar, para oferecer todas as oportunidades, para garantir resultados, para não perder tempo, preparar os filhos para um futuro cada vez mais competitivo. A ansiedade que atravessa a educação é a mesma que atravessa a sociedade. Todos parecem correr, poucos conseguem permanecer. Todos parecem preocupados com o que a criança vai se tornar, poucos conseguem observar quem ela está sendo agora.

 

Talvez por isso a infância continue sendo uma professora tão extraordinária, pois nos lembra que a curiosidade vale mais do que a pressa, que a descoberta tem um ritmo próprio, que o encantamento participa da construção do conhecimento, que repetir não significa estagnar – e sim pesquisar –, que brincar não é uma pausa na aprendizagem – mas uma das suas formas mais profundas –, e que crescer nunca foi uma corrida.

 

Talvez os educadores estejam cansados porque sabem, no fundo, algo que os sistemas frequentemente ignoram: pessoas não amadurecem por aceleração. Uma criança não floresce porque foi pressionada. Uma relação não se aprofunda porque foi apressada. Uma aprendizagem não ganha significado porque aconteceu mais cedo. Há processos que pedem tempo, há experiências que pedem presença, descobertas que acontecem quando encontramos espaço para experimentar, errar, recomeçar e tentar novamente.

 

Talvez a pergunta que a educação precise recuperar seja simples: o que a infância sabe que nós esquecemos? Porque, enquanto os adultos seguem ocupados medindo resultados, as crianças continuam oferecendo pistas. Elas caem e levantam, erram e tentam outra vez, perguntam sem medo de parecerem ignorantes, experimentam sem a obrigação de serem extraordinárias, aprendem porque estão vivas.

 

E aí reside uma das maiores lições da infância: a vida não acontece quando finalmente chegamos a algum lugar, e sim enquanto aprendemos o caminho.

 
 
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