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O TEMPO PEDE PAUSA
Existe algo que atravessa tudo o que reuni nesta semana em minha newsletter. O vídeo, o texto do blog e até a indicação do filme apontam para um mesmo lugar: a necessidade de desacelerar. Esse movimento aparece como um pedido que se espalha pela vida cotidiana. Um cansaço que não se resolve com mais estímulo, mais atividade ou mais resposta. O corpo e o pensamento pedem intervalo, a vida precisa de pausas para se reorganizar, ganhar sentido, permitir que algo novo apareça.
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MA, INFÂNCIA E A ARTE DE DEIXAR ESPAÇO
Há palavras que não se deixam capturar por uma tradução. Palavras que resistem ao dicionário porque não querem caber em um significado único. No japonês, isso acontece com frequência. São palavras que não nomeiam apenas uma coisa, mas um estado. Não descrevem um objeto, mas uma relação. Não apontam um sentido fechado, mas uma disponibilidade diante do mundo. Ma é uma dessas palavras. Costuma-se dizer que Ma é o espaço vazio, a pausa, o intervalo. Mas isso é pouco, Ma não
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ALGORITMO PEDAGÓGICO
A Dove promoveu uma instalação chamada “ The Beauty Machine ” em Londres, que convidava as pessoas a montar um rosto a partir de escolhas em uma interface simples. A proposta sugeria variedade e personalização, como se cada decisão levasse a um resultado único. Ao final, a máquina entregava rostos com diferenças sutis, organizados dentro de um mesmo padrão estético. Ao longo do percurso, tudo reforça a sensação de autoria: tocar, decidir, avançar. A pessoa participa como algu
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COMPARTILHAR É CONFIAR
Poucas cenas provocam tanto desconforto quanto aquela em que uma criança segura o brinquedo junto ao peito e diz, com firmeza, “é meu”. O adulto observa, constrangido. Pensa no outro que espera, pensa na regra social que precisa ser ensinada, pensa na ideia de generosidade que deseja cultivar. E, quase sempre, intervém rápido demais. Mas o que está acontecendo ali é mais profundo do que parece... Quando a criança diz “é meu”, não está apenas defendendo um objeto, está ens
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DA IMAGINAÇÃO AO LIVRE CARREGANDO...
Toy Story 5, com previsão de estreia para 19 de junho, focará no confronto entre brinquedos clássicos e a tecnologia moderna. A trama mostra Bonnie, agora com oito anos, distraída pelo tablet LilyPad, fazendo com que Woody, Buzz e Jessie lutem para manter sua relevância e evitar o abandono. O tablet infantil inteligente absorve toda a atenção de Bonnie, afastando-a das brincadeiras tradicionais. O filme aborda a transição da infância, o fim das brincadeiras clássicas e a busc
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O QUE NOS TORNOU HUMANOS
Durante muito tempo, a ideia dominante organizou a infância em torno de um vínculo quase exclusivo entre mãe e bebê. Sarah Blaffer Hrdy apresenta outra leitura em seu TED : a sobrevivência humana nunca foi possível a partir de um cuidado solitário. O conceito de aloparentalidade revela que bebês sempre dependeram de uma rede, ou seja, outros adultos participaram ativamente da criação. Esse dado não aparece como detalhe histórico, se apresenta como condição de existência da
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O TERRITÓRIO QUE NÃO CABE NOS PLANOS
Há uma linha quase invisível que separa o cuidado do controle. E, sem perceber, muitos adultos a atravessam todos os dias. Quando dizemos à criança o que ela deve gostar, o que deve sentir, como deve reagir, estamos, pouco a pouco, apagando o território da sua própria existência. É como se disséssemos, silenciosamente: “Seja quem eu gostaria que você fosse”. Mas a infância não cabe nos nossos planos. Ela é o tempo do inesperado, do acontecimento, da invenção. Criança não na
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DA FORÇA DOS MÚSCULOS À FORÇA DO CORAÇÃO
O QUE A GESTÃO ESCOLAR AINDA PRECISA APRENDER O publicitário Walter Longo tem uma frase que não sai da cabeça: no passado distante, nossa competência era avaliada pelos músculos. Depois, pelo cérebro. E, agora, cada vez mais, pelo coração. Ele usa três termos para descrever essa jornada: hard skills , soft skills e heart skills . Os dois primeiros já fazem parte do vocabulário de qualquer educador: sabemos que não basta dominar o conteúdo (hard) se não soubermos nos rela
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O QUE PERMANECE QUANDO TUDO AVANÇA
Entre a semana passada e essa, aconteceu, em Austin, nos Estados Unidos, o SXSW , sigla para South by Southwest. Trata-se de um encontro anual que reúne pesquisadores, artistas, empresários, educadores e pensadores de diferentes áreas para compartilhar aquilo que começa a ganhar forma no mundo contemporâneo. Durante alguns dias, circulam ideias, experimentos, leituras de cenário e perguntas que ajudam a perceber para onde a vida coletiva está se movendo. Ao longo dos último
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A VONTADE DE SE RELACIONAR COM O MUNDO
A criança não inicia sua vida na palavra. Sua primeira forma de comunicação acontece no corpo. Antes de dizer o que deseja, ela aponta, chora, estica os braços, se encolhe, se afasta, se aproxima. Cada gesto carrega uma intenção e inaugura uma forma de relação com o mundo. O corpo funciona como a primeira ponte entre aquilo que acontece dentro da criança e aquilo que existe fora dela. Nele, aparecem o desejo, o desconforto, a curiosidade, a alegria e o espanto. O gesto se tor
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O ESSENCIAL É O QUE INVENTA
Vivemos em uma época em que os brinquedos parecem fazer tudo sozinhos. Luzes, sons, movimentos programados, narrativas prontas, personagens com roteiros pré-definidos. A criança aperta um botão e assiste a história acontecer diante dela. Nada precisa ser imaginado, nada precisa ser inventado. A promessa do mercado é sedutora: um brinquedo completo, autossuficiente, atento, responsivo. Mas o que se apresenta como riqueza tecnológica costuma esconder um empobrecimento simbólico
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OS ESPAÇOS DA INFÂNCIA
A infância acontece no encontro entre os lugares. Ela não cabe num só espaço, porque é movimento, travessia, passagem. A criança não vive separando o que é casa, o que é escola, o que é rua, tudo para ela é mundo. Ela leva o quintal para a sala, o rastro da escola para o lar, a poeira da rua para o pensamento. A infância mistura territórios, porque é feita de contaminações. E, talvez, o maior desafio da educação contemporânea seja justamente devolver à infância essa liberdade
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O QUE A CRIANÇA PERDE QUANDO VIRA COMPETÊNCIA
Nunca gostei das palavras habilidades e competências. Sempre que aparecem em reuniões pedagógicas, em documentos oficiais ou em propostas de formação, sinto que algo se estreita dentro de mim. Não é porque ache que as crianças não aprendem ou não se desenvolvem. Não é porque eu rejeite a ideia de que elas ampliam repertórios, modos de agir, formas de compreender o mundo. O problema não está no que acontece com a criança, mas no tipo de mundo que essas palavras carregam. Habil
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INTERDISCIPLINARIDADE E TRANSVERSALIDADE
O conhecimento que não cabe em gavetas Há muitos anos, observo uma cena que se repete nas escolas e que sempre me emociona. Pode acontecer no quintal depois da chuva, numa sala iluminada pela manhã ou no meio de uma brincadeira aparentemente simples. Um grupo de crianças encontra uma poça d’água. Umas se inclinam para se ver refletidas. Outras medem profundidades com gravetos. Uma delas pergunta por que a água não evaporou. Eu me aproximo e, em poucos segundos, percebo que
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DA INFÂNCIA SEM TELAS AO METAVERSO
Como as redes moldam identidades Cresci em uma infância sem telas digitais. Não havia celular, computador ou internet no meu dia a dia. As referências que tinha vinham do convívio com as pessoas, da rua em que eu brincava, dos livros da escola, das histórias contadas em casa. E, aqui, preciso abrir um parêntese importante: minha mãe era professora e uma grande contadora de histórias, antes mesmo de eu aprender a ler sozinho, ela já me introduzia ao universo da imaginação com
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QUANDO AS MÁQUINAS COMEÇAM A CORRIGIR EMOÇÕES
Tenho pensado muito sobre uma matéria recente da WIRED que fala de um novo tipo de inteligência artificial: uma espécie de “corretor emocional”. Sim, um spellcheck de sentimentos. Você escreve uma mensagem e a máquina te avisa se o tom está agressivo, ansioso, sarcástico ou triste demais. Em seguida, sugere uma versão “melhor”, mais equilibrada, mais neutra, mais... aceitável. De início, parece uma boa ideia. Quem nunca desejou uma ajudinha para responder mensagens difíce
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ROTINA NÃO É PRISÃO — É CHÃO
Por que precisamos falar sobre rotina hoje Vivemos um tempo em que tudo muda rápido demais. O trabalho, a escola, as relações, a tecnologia — nada parece estável. E, nesse movimento constante, a rotina acabou ganhando má fama. Ela é vista como algo que aprisiona, que repete demais, que tira a espontaneidade da vida. Mas, quando penso nas crianças, vejo o oposto. A rotina não é prisão — é chão. É o que dá sentido à vida que ainda está sendo construída. É o eixo invisível q
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LEITURA: COMO CAPTAR O INTERESSE DA CRIANÇA
Vida em sala de aula. Encantamento. Como venho dizendo, as aulas estão ficando muito chatas. É tanta decoreba, tanto exercício pronto!...
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TÉDIO DA CRIANÇA COM A ESCOLA
Há aos montes relatos de mães e pais sobre crianças que ficam “voando” em sala de aula, não se interessam pela escola, desatentas. O que...
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MÚSICA: HÁ IDADE IDEAL PARA A CRIANÇA APRENDER?
Criança escuta música com o corpo Para escutar música, não é preciso muito! Música faz bem para o mundo! Seria tão bom se todos os dias...
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