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O LUGAR DA TECNOLOGIA NA ESCOLA
Dois anos depois de publicar A Geração Ansiosa, Jonathan Haidt diz, em novo TED, que hoje está mais preocupado do que quando escreveu o livro. Sua atenção deixou de estar concentrada apenas nos impactos das redes sociais sobre a saúde mental e agora se volta para algo ainda mais amplo: a maneira como as tecnologias estão ocupando espaços que, por muito tempo, pertenceram às relações humanas. Concordo com boa parte do que ele apresenta. Ainda assim, enquanto ouvia sua palest
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A INFÂNCIA NÃO É UM ENSAIO PARA A VIDA
Existe uma pergunta atravessando a educação contemporânea: em que momento a infância deixou de ser vida para se tornar preparação? Cada vez mais cedo, crianças são conduzidas por uma lógica de desempenho. Aprendem idiomas antes mesmo de compreender profundamente a própria língua emocional. Acumulam atividades, metas, estímulos e avaliações. Crescem cercadas por discursos que falam constantemente sobre futuro, excelência, produtividade e sucesso. Como se a vida verdadeira es
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A EDUCAÇÃO ESTÁ CANSADA
Basta entrar em muitas escolas para perceber. Os corredores continuam cheios. As salas continuam funcionando. Os planejamentos continuam sendo feitos. As reuniões continuam acontecendo. No entanto, algo parece ter perdido vitalidade pelo caminho... Professores cansados. Coordenadores cansados. Gestores cansados. Famílias cansadas. Crianças cansadas. É curioso. Nunca tivemos tantas formações, tantos cursos, tantas metodologias, recursos tecnológicos e informações disponíveis
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A SEMENTE DA ESCOLA
Toda geração recebe um mundo que não construiu. A linguagem já existia antes do nosso nascimento, a ciência, a arte, a filosofia, as cidades, os livros, as histórias e as formas de convivência já estavam aqui. Ainda assim, cada geração acrescenta algo novo a esse mundo e o entrega transformado à seguinte. É nesse movimento que a cultura permanece viva. E, assim, a pergunta mais importante sobre a educação deixa de ser o que ensinar, mas o que precisa permanecer vivo para que
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MEU PEQUENO CEO
A escola sempre serviu a um projeto de sociedade. Essa afirmação pode parecer desconfortável, mas basta analisar um pouco a história para perceber que nunca existiu uma educação neutra. Em alguns momentos, seu papel era formar cidadãos alinhados aos interesses da Igreja, ou do Estado. Em outros, formar indivíduos disciplinados para o trabalho. Em outros, ainda, preparar sujeitos capazes de ocupar posições de liderança em uma economia cada vez mais competitiva. Cada teoria edu
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O MEDO DE FRUSTRAR
Amar uma criança também envolve ocupar um lugar de referência na vida dela. E isso inclui dizer “não”, interromper excessos, criar contornos e apresentar limites que ajudam a organizar a convivência. Muitos adultos têm sentido medo de frustrar os filhos. Medo do choro, da rejeição, do desconforto que aparece quando a criança não pode fazer exatamente aquilo que deseja. Aos poucos, esse medo transforma a educação numa tentativa permanente de evitar conflitos, mas a infância
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QUANDO O PASSADO TOCA NO FONE DE OUVIDO
Por muito tempo, a música esteve ligada ao tempo em que era produzida. Cada geração tinha suas bandas, seus artistas, seus discos e suas referências. A música ajudava a marcar épocas, bastava ouvir algumas notas para saber se estávamos nos anos 1960, 1980 ou 2000. No entanto, algo diferente parece estar acontecendo. Um estudo recente mostrou que jovens entre 13 e 24 anos estão ouvindo cada vez mais músicas lançadas antes de seu nascimento. Os anos 90 se tornaram, particular
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ESTICAR A INFÂNCIA
Há um movimento silencioso que atravessa a paternidade e a maternidade. Um desejo quase imperceptível, mas profundamente humano: esticar a infância dos filhos. Não como quem impede o crescimento, mas como quem tenta alongar o tempo em que o amor se mostra com mais nitidez. A infância é um território raro. Nela, o afeto se apresenta de forma inteira, disponível, generosa. O abraço é espontâneo, o olhar é direto, o vínculo é vivido com intensidade. É nesse tempo que o amor en
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FIGURINHAS REPETIDAS
Estamos na temporada do álbum de figurinhas da Copa e, junto dela, circulam algumas situações que chamam atenção. Familiares comprando centenas de pacotes de uma vez, adultos organizando trocas sem a presença das crianças, figurinhas raras compradas diretamente pela internet, álbuns completados em poucos dias. Em muitos casos, as próprias crianças quase não participam do percurso que levou o álbum até ali. Pode isso, Arnaldo? Existe boa intenção nesse movimento. Vontade de
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AVÓS: O TEMPO QUE ACOLHE A INFÂNCIA
Há presenças que ampliam o mundo de uma criança. Entre elas, os avós ocupam um lugar delicado e poderoso ao mesmo tempo. Com eles, a infância encontra uma qualidade de tempo diferente. Um tempo que se demora, que observa, que conversa, que se interessa pelas pequenas coisas. Um tempo que acompanha a jornada. A vida das crianças acontece em meio a muitos movimentos. Escola, compromissos, atividades, agendas organizadas pelos adultos. Os avós costumam introduzir outro ritmo.
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O TEMPO PEDE PAUSA
Existe algo que atravessa tudo o que reuni nesta semana em minha newsletter. O vídeo, o texto do blog e até a indicação do filme apontam para um mesmo lugar: a necessidade de desacelerar. Esse movimento aparece como um pedido que se espalha pela vida cotidiana. Um cansaço que não se resolve com mais estímulo, mais atividade ou mais resposta. O corpo e o pensamento pedem intervalo, a vida precisa de pausas para se reorganizar, ganhar sentido, permitir que algo novo apareça.
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MA, INFÂNCIA E A ARTE DE DEIXAR ESPAÇO
Há palavras que não se deixam capturar por uma tradução. Palavras que resistem ao dicionário porque não querem caber em um significado único. No japonês, isso acontece com frequência. São palavras que não nomeiam apenas uma coisa, mas um estado. Não descrevem um objeto, mas uma relação. Não apontam um sentido fechado, mas uma disponibilidade diante do mundo. Ma é uma dessas palavras. Costuma-se dizer que Ma é o espaço vazio, a pausa, o intervalo. Mas isso é pouco, Ma não
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ALGORITMO PEDAGÓGICO
A Dove promoveu uma instalação chamada “ The Beauty Machine ” em Londres, que convidava as pessoas a montar um rosto a partir de escolhas em uma interface simples. A proposta sugeria variedade e personalização, como se cada decisão levasse a um resultado único. Ao final, a máquina entregava rostos com diferenças sutis, organizados dentro de um mesmo padrão estético. Ao longo do percurso, tudo reforça a sensação de autoria: tocar, decidir, avançar. A pessoa participa como algu
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COMPARTILHAR É CONFIAR
Poucas cenas provocam tanto desconforto quanto aquela em que uma criança segura o brinquedo junto ao peito e diz, com firmeza, “é meu”. O adulto observa, constrangido. Pensa no outro que espera, pensa na regra social que precisa ser ensinada, pensa na ideia de generosidade que deseja cultivar. E, quase sempre, intervém rápido demais. Mas o que está acontecendo ali é mais profundo do que parece... Quando a criança diz “é meu”, não está apenas defendendo um objeto, está ens
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DA IMAGINAÇÃO AO LIVRE CARREGANDO...
Toy Story 5, com previsão de estreia para 19 de junho, focará no confronto entre brinquedos clássicos e a tecnologia moderna. A trama mostra Bonnie, agora com oito anos, distraída pelo tablet LilyPad, fazendo com que Woody, Buzz e Jessie lutem para manter sua relevância e evitar o abandono. O tablet infantil inteligente absorve toda a atenção de Bonnie, afastando-a das brincadeiras tradicionais. O filme aborda a transição da infância, o fim das brincadeiras clássicas e a busc
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O QUE NOS TORNOU HUMANOS
Durante muito tempo, a ideia dominante organizou a infância em torno de um vínculo quase exclusivo entre mãe e bebê. Sarah Blaffer Hrdy apresenta outra leitura em seu TED : a sobrevivência humana nunca foi possível a partir de um cuidado solitário. O conceito de aloparentalidade revela que bebês sempre dependeram de uma rede, ou seja, outros adultos participaram ativamente da criação. Esse dado não aparece como detalhe histórico, se apresenta como condição de existência da
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O TERRITÓRIO QUE NÃO CABE NOS PLANOS
Há uma linha quase invisível que separa o cuidado do controle. E, sem perceber, muitos adultos a atravessam todos os dias. Quando dizemos à criança o que ela deve gostar, o que deve sentir, como deve reagir, estamos, pouco a pouco, apagando o território da sua própria existência. É como se disséssemos, silenciosamente: “Seja quem eu gostaria que você fosse”. Mas a infância não cabe nos nossos planos. Ela é o tempo do inesperado, do acontecimento, da invenção. Criança não na
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DA FORÇA DOS MÚSCULOS À FORÇA DO CORAÇÃO
O QUE A GESTÃO ESCOLAR AINDA PRECISA APRENDER O publicitário Walter Longo tem uma frase que não sai da cabeça: no passado distante, nossa competência era avaliada pelos músculos. Depois, pelo cérebro. E, agora, cada vez mais, pelo coração. Ele usa três termos para descrever essa jornada: hard skills , soft skills e heart skills . Os dois primeiros já fazem parte do vocabulário de qualquer educador: sabemos que não basta dominar o conteúdo (hard) se não soubermos nos rela
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O QUE PERMANECE QUANDO TUDO AVANÇA
Entre a semana passada e essa, aconteceu, em Austin, nos Estados Unidos, o SXSW , sigla para South by Southwest. Trata-se de um encontro anual que reúne pesquisadores, artistas, empresários, educadores e pensadores de diferentes áreas para compartilhar aquilo que começa a ganhar forma no mundo contemporâneo. Durante alguns dias, circulam ideias, experimentos, leituras de cenário e perguntas que ajudam a perceber para onde a vida coletiva está se movendo. Ao longo dos último
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A VONTADE DE SE RELACIONAR COM O MUNDO
A criança não inicia sua vida na palavra. Sua primeira forma de comunicação acontece no corpo. Antes de dizer o que deseja, ela aponta, chora, estica os braços, se encolhe, se afasta, se aproxima. Cada gesto carrega uma intenção e inaugura uma forma de relação com o mundo. O corpo funciona como a primeira ponte entre aquilo que acontece dentro da criança e aquilo que existe fora dela. Nele, aparecem o desejo, o desconforto, a curiosidade, a alegria e o espanto. O gesto se tor
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