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DA IMAGINAÇÃO AO LIVRE CARREGANDO...

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura


Toy Story 5, com previsão de estreia para 19 de junho, focará no confronto entre brinquedos clássicos e a tecnologia moderna. A trama mostra Bonnie, agora com oito anos, distraída pelo tablet LilyPad, fazendo com que Woody, Buzz e Jessie lutem para manter sua relevância e evitar o abandono. O tablet infantil inteligente absorve toda a atenção de Bonnie, afastando-a das brincadeiras tradicionais. O filme aborda a transição da infância, o fim das brincadeiras clássicas e a busca por conexão emocional em um mundo digital.

 

Vale pensar que criança não abandona os brinquedos, ela entra em outro regime de relações. O que se anuncia no filme não é a substituição de um objeto por outro, mas a instalação de um novo campo de forças. O brinquedo pertence a um regime em que a imaginação opera por expansão: a criança distribui intensidades, projeta mundos, cria linhas que não estavam dadas. O dispositivo digital, ao contrário, organiza essas intensidades. Ele captura, orienta, conduz. Não impede a imaginação, a canaliza.

 

O problema não está no objeto, mas no tipo de relação que ele produz. O brinquedo exige um corpo que inventa, que hesita, experimenta, suporta o vazio entre uma ação e outra. O dispositivo oferece um corpo já conduzido, atravessado por fluxos contínuos que não cessam. Não há intervalo. E é no intervalo que algo acontece. Os brinquedos, então, não perdem espaço, mas deixam de operar no regime dominante. Tornam-se linhas minoritárias. Persistem como possibilidade, mas já não organizam o campo.

 

Há, aqui, uma passagem: da fabulação para a modulação. A fabulação abre mundos, a modulação ajusta o comportamento em tempo real.

 

O novo “vilão” não é uma entidade, mas um sistema que aprende com a criança ao mesmo tempo em que a conduz. Um sistema que se adapta. Não se trata mais de impor uma forma, mas de modular continuamente.

 

Isso não elimina o devir da criança, o reconfigura. O devir passa a acontecer dentro de um circuito. As variações existem, mas são antecipadas, previstas, calculadas. A surpresa diminui não por ausência de possibilidades, mas porque elas já vêm desenhadas.

 

Os brinquedos resistem de outra maneira. Não como oposição, mas como insistência de outro regime. Carregam o tempo lento, o gesto sem finalidade, o erro que não corrige a si mesmo. Sustentam a experiência que não está orientada para um resultado imediato.

 

O que está em jogo não é a vitória de um sobre o outro, e sim a qualidade do tempo. Se o tempo se fecha em sequência de estímulos, a experiência se reduz à resposta. Se ele se abre, mesmo que por instantes, a criança ainda pode inventar.

 

Os brinquedos não pedem para voltar, eles continuam ali, como linhas disponíveis. O problema é saber se ainda há condições para que sejam ativados. A questão, então, não é tecnológica, é política. Que tipo de relação com o mundo se torna dominante? E quais permanecem possíveis?

 

Como Toy Story 5 tem estreia prevista apenas para junho, o final oficial ainda não foi revelado pela Disney ou pela Pixar. No entanto, diversos vazamentos de roteiro indicam caminhos possíveis para a conclusão da história. Um dos mais prováveis é o redescobrimento do valor do brincar: a conclusão deve envolver Bonnie (ou as crianças em geral) percebendo que, embora a tecnologia seja divertida, ela não substitui a conexão emocional e a imaginação proporcionadas pelos brinquedos físicos. Que bom! Espero que seja um sucesso de bilheteria!

 
 
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