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O MEDO DE FRUSTRAR

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Amar uma criança também envolve ocupar um lugar de referência na vida dela. E isso inclui dizer “não”, interromper excessos, criar contornos e apresentar limites que ajudam a organizar a convivência.

 

Muitos adultos têm sentido medo de frustrar os filhos. Medo do choro, da rejeição, do desconforto que aparece quando a criança não pode fazer exatamente aquilo que deseja. Aos poucos, esse medo transforma a educação numa tentativa permanente de evitar conflitos, mas a infância precisa de direção, de presença firme e de adultos que consigam permanecer nesse lugar com cuidado e clareza.

 

O limite ajuda a criança a perceber que existem outras pessoas no mundo, outros desejos, outros ritmos, necessidades. A experiência de esperar, de escutar um “agora não”, de lidar com pequenas frustrações do cotidiano participa profundamente da construção emocional e social.

 

O “não” dado com respeito organiza. Oferece segurança. A criança entende que existe alguém conduzindo a relação, alguém atento, capaz de cuidar, inclusive, daquilo que ela ainda não consegue administrar sozinha.

 

Quando nenhum adulto ocupa esse lugar, a criança tenta fazê-lo, e esse movimento produz excesso, ansiedade e dificuldade de convivência, porque a infância ainda está aprendendo a lidar com os próprios impulsos.

 

Educar exige presença. Exige coragem para atravessar o desconforto de alguns momentos sem abandonar aquilo que é importante para o desenvolvimento da criança. O choro faz parte da vida emocional. A frustração também. Ambos podem ser acompanhados com afeto, escuta e firmeza.

 

Limites oferecidos com vínculo ajudam a criança a crescer com mais segurança interna, mais capacidade de espera, mais consideração pelo outro e recursos emocionais para viver em comunidade.

 

A infância precisa de amor. E também precisa de adultos que consigam dizer “sim” e “não” com responsabilidade, cuidado e presença.

 
 
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